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sexta-feira, junho 03, 2016

Uma esquina tranquila

Publicado na Revista Sábado em 12 de Maio de 2016 o guia sobre Amesterdão. Na mesma página as músicas que David Santos se recorda quando evoca esta cidade. Podem ver aqui a dupla página.

UMA ESQUINA TRANQUILA 
Ao contrário de outro tipo de registo, como a fotografia por exemplo, o desenho não regista o momento. O desenho regista o tempo. O tempo que demora a fazer. E o que aconteceu durante aquele tempo naquela tranquila esquina? Um homem passeava o cão num pequeno recinto para crianças brincarem, dois rapazes falavam numa esquina à porta de uma loja de que não percebi do que era e, como não podia deixar de ser, passavam algumas bicicletas. Só consegui, ou optei, por registar só uma delas. Tinha de ser! Nesta cidade dificilmente se olha para algum lado sem se verem bicicletas. E ainda bem que assim é!


segunda-feira, maio 30, 2016

Um bairro que podia ser uma aldeia

Publicado na Revista Sábado em 5 de Maio de 2016 o guia sobre Roma. Na mesma página as músicas que Joaquim Albergaria se recorda quando evoca Roma. Podem ver aqui a dupla página.

UM BAIRRO QUE PODIA SER UMA ALDEIA 
Gosto de cidades grandes. Sim! Gosto de cidades grandes com pequenas aldeias dentro. Bairros coesos com habitantes que se relacionam, com comércio à medida das necessidades locais, com espaços onde os vizinhos se encontram e põem os assuntos em dia. Mas onde o ingresso dos “de fora” seja fácil e não excepcional e onde se possam misturar com os residentes. O Bairro Trastevere pareceu-me que corresponde a isto. Parei nesta encruzilhada de ruas estreitas, com umas mesas à porta de um pequeno bar debaixo de uma espécie de latada, com um empregado cá fora a fumar um cigarro. Encostei-me a uma das esquinas e registei o momento.


Caderno D&S de capa dura preta formato A6. Aguarela e caneta

sexta-feira, maio 27, 2016

Uma pensão que não é um hostal

Publicado na Revista Sábado em 28 de abril de 2016 o guia sobre Madrid. Na mesma página as músicas que Zé Pedro se recorda quando evoca esta cidade. Podem ver aqui a dupla página.

UMA PENSÃO QUE NÃO É UM HOSTAL 
A Pensão Chelo é minha conhecida já há muito tempo. Gosto de ficar nos quartos que dão para a frente, para a Calle Hortaleza, apesar do burburinho de gente que se ouve a todas as horas do dia e da noite. Os quartos têm uma pequena varanda onde podemos observar enquanto fumamos um cigarro. Foi aí que fiz este desenho. A Pensão Chelo é velha, os seus donos caminham para velhos, os quartos precisam de coisas novas, não servem desayuno (pequeno-almoço), o sítio é barulhento, o conforto é escasso e é num terceiro andar (por acaso já tem elevador). E eu regresso sempre. E gosto de descer, subir a rua, virar à esquerda e entrar numa pequena livraria, onde se tem que bater para a dona nos abrir a porta. E onde estão sempre livros à minha espera.



Caderno Laloran de capa azul escura com lombada de pano. 10,5 x 15,5 cm
Caneta preta e aguarela

quinta-feira, maio 19, 2016

O meu quadro em Paris

Saiu hoje na Revista Sábado no guia de viagens, este sobre Paris. Na mesma página as músicas que Cristina Branco se recorda quando evoca Paris. Podem ver aqui a dupla página.

O MEU QUADRO EM PARIS
Nem todas as vezes que fui a Paris fui ver este quadro. Conheço pessoas que sempre que vão a uma certa cidade não prescindem de uma visita a uma certa pintura. Um Rothko em Londres, um Hopper em Nova Iorque. Eu não. Mas este pintor, Gustave Courbet, e esta enorme tela em particular, “O Atelier do Pintor”, no Museu D’Orsay, já o visitei vezes sem conta. E estou ali a olhar todos os pormenores, a relembrar-me das personagens que ele pintou, cada uma representando um certo tipo de pessoa. E a polémica que aquilo levantou na altura! E também a observar como os outros olham para ele, como se relacionam com aquela pintura que eu sinto como um pouco minha também. Este desenho foi uma pequena homenagem que lhe fiz.
Caderno formato A6 de capa dura preta marca Winsor&Newton
Caneta preta e aguarela

segunda-feira, maio 16, 2016

A Praça que pode ser várias coisas

Na Revista Sábado no dia 21 de Abril saiu sobre Berlim. Na mesma página as músicas que Fernando Ribeiro se recorda quando evoca esta cidade. Podem ver aqui a dupla página.

A PRAÇA QUE PODE SER VÁRIAS COISAS
Saímos de uma rua estreita e, ao longe, do outro lado da rua, não se percebia muito bem o que estávamos a ver. Vamos lá ver o que é?! Aproximámo-nos, chegamos, começamos a andar por entre aqueles paralelepípedos de pedra. Uns baixos como campas, outros, um pouco mais altos como bancos, onde havia grupos de pessoas, umas sentadas outras em pé, a conversar, a namorar, ou até a fazer um pic-nic. Andámos mais um bocado e havia outros ainda mais altos, mais altos que nós. E eram como ruas. Uma nova cidade. Labiríntica, claustrofóbica, até opressora, onde tínhamos a sensação de nos perder ou de nos acontecer alguma coisa. Virámos uma esquina e eram outra vez como campas. Um enorme cemitério a perder de vista.

Caderno Flecha, comprado na Papelaria Fernandes. 11,5x17 cm
Aguarela e caneta preta

quinta-feira, maio 12, 2016

Aquela esquina no Soho

Tem saído um guia com a revista Sábado, cada número sobre uma cidade diferente. A minha contribuição nesses guias foi um desenho feito nessa cidade, um desenho que já tivesse feito numa viagem anterior, e um pequeno texto sobre a memória desse momento. 
No dia 14 de Abril saiu sobre Londres. Na mesma página as músicas que Rui Reininho se recorda quando evoca esta cidade. Podem ver aqui a dupla página. 

AQUELA ESQUINA NO SOHO 
Já não sei porquê, mas sei que estávamos com pressa. Ela até continuou a andar, devagar, para me dar tempo. Mas eu tinha que fazer aquele desenho. Uma esquina do Soho, um prédio em tijolo com um pub em baixo. Londres era aquilo, e os Clash (só não os consegui ver em Cascais porque os bilhetes estavam esgotados). O desenho foi tão rápido que nem aparecem pessoas. E o Pub, esse, nem sei o nome. Sei que estava lá, que me apeteceu entrar, sentar-me ao balcão, dar dois dedos de conversa com o barman. Enfim, fazer o que os londrinos do Soho fazem ao fim da tarde. O desenho tem destas coisas. Enquanto o fazemos imaginamos coisas e depois, passados uns anos, misturamos tudo: o que aconteceu e o que nós gostávamos que tivesse acontecido.

Caderno formato A6 de capa dura preta marca Winsor&Newton
Caneta preta e aguarela