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domingo, julho 20, 2008

Grunho

Não sei qual o nome dele só sei que é conhecido por Grunho, alcunha, aliás, com que não concordo, porque ele é, parece-me, um rapaz com alguma sofisticação e até carisma. Canta o fado, mas o seu sustento é a pintura de paredes. Vive em Alfama e é o maior a seduzir o sexo oposto. Se queres ler as verdadeiras façanhas do Grunho lê aqui.

Como eu o vejo quando está preparado para cantar o fado

terça-feira, março 18, 2008

Personagens 16

O senhor Viriato, com os seus 82 anos, continua a frequentar a taberna do Ramiro e a cantar e a beber com os outros. O Zé tentou ensinar-me a letra duma canção em crioulo. Cá fora passeavam umas cabrinhas.

domingo, março 16, 2008

Personagens 15

Na tasca do Ramiro (no violino) ouvia-se música durante todo o dia e noite. Os músicos revezavam-se. Bebia-se vinho e queijo da ilha. O Zé (no cavaquinho) é da família Montrond. Aristocrata exilado francês que deixou grande descendência naquela povoação. Para grande desconsolo do grupo não deixei este desenho, mas prometi (e fiz) enviar fotocópias para todos quando regressasse.

Chã das Caldeiras. Ilha do Fogo. Março 2006

quinta-feira, março 06, 2008

Personagens 14

O senhor Bernardo, motorista de táxi no Mindelo que ficou meu amigo enquanto andei por lá, quando fui apanhar o avião para a ilha da Boavista, saiu-se com esta: “Eu e a bebida não somos colegas. Ela é mais forte que eu”.

Aeroporto do Mindelo. Abril 2006

sábado, janeiro 26, 2008

Personagens 13

Nos dias em que estive na vila do Tarrafal jantei algumas vezes num restaurante cujo proprietário era francês. As refeições acabavam sempre em conversas nostálgicas mas muito interessantes. E eram sempre acompanhadas com o vinho branco da ilha do Fogo.


Tarrafal. Março 2006

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Personagens 12

Enquanto esperamos no cais de embarque, em Cabo-Verde, podemos assistir a um desfile de personagens. Os que vão partir e os que se despedem. A espera transforma-se numa festa.

Março 2006

terça-feira, janeiro 22, 2008

Personagens 11

Em Cabo-Verde nas travessias de barco entre as ilhas, na maior parte dos casos, são dada primazia às mercadorias. Dizem-nos para estarmos no cais às 21 horas, por exemplo, e o barco parte à uma da manhã. Temos que esperar que a mercadoria fique toda arrumada. Estas três senhoras para passar o tempo iam vendo a telenovela por uma das escotilhas do barco.

Cais da cidade da Praia. Fevereiro 2006

segunda-feira, outubro 01, 2007

Personagens 10

Em certos lugares o Tempo é mais comprido. Na esplanada situada nas traseiras da igreja principal da Vila do Maio, a Goreth, a empregada tricotava, enquanto eu desenhava.

Vila do Maio. Ilha do Maio. Março 2006

sexta-feira, setembro 28, 2007

Personagens 9

Conheci-os em Berlim por acaso. O Hugo é apaixonado por música e compõe em casa num pequeno estúdio. Ele e a Martina fizeram um filho lindo chamado Keanu. Avisei-os logo que as parecenças, se as houvesse, eram por acaso.

Berlim. Agosto 2007

quinta-feira, junho 21, 2007

Personagens 8

Bruno, o motorista desta carrinha/táxi, é um certo tipo de homem caboverdeano. Gostam de fazer filhos, de preferência de várias mulheres. Dizem que é uma prova de amor (não sei se deles se delas). Tem 8 filhos e a mulher (a legítima) está à espera de mais um.

Cascabulho. Ilha do Maio. Cabo-Verde. Março 2006

quarta-feira, junho 20, 2007

Personagens 7

Clarisse, conhecida por Rozely, é uma excepção em Cabo-Verde. Tem uma única filha, que vive com o pai, e é independente economicamente. Vende cervejas, grogue, cigarros à unidade e serve refeições por encomenda. Almocei lá por duas vezes e passei umas tardes muito agradáveis na conversa com ela e com os vizinhos/fregueses.

Morro. Ilha do Maio. Cabo-Verde. Março 2006

terça-feira, junho 19, 2007

Personagens 6

No Hotel Bom Sossego, na ilha do Maio, a Felicidade e a Ivania são as cozinheiras, a Carmita serve à mesa. As três arrumavam os quartos. A Felicidade, mulher enorme, tinha uma beleza singular. Depois de passar lá uma semana senti-me à vontade para lhes dizer que gostava de as desenhar. Enquanto a Felicidade, inesperadamente, não ficou muito à vontade, as outras duas vestiram-se a preceito e posaram.

Ilha do Maio. Cabo-Verde. Março 2006

sexta-feira, junho 08, 2007

América do Sul 37

No Domingo seguinte voltei à feira no bairro de S.Telmo, na praça Dorrego. Sou pouco conhecedor de Fado, mas o Tango parece-me ter grandes semelhanças com ele. Parece uma lamúria, mas com algo de reivindicativo. Tantos estes três senhores, que dialogavam a cantar, como o outro solitário, pareciam querer dizer que também tinham direito a ser felizes. Comprei um anel e um brinquedo de madeira para oferecer.


Buenos Aires. Maio 2004

sexta-feira, maio 11, 2007

Personagens 5

Ainda no seguimento do desenho anterior registei mais esta personagem. Mulher atenta a quem estava a olhar para ela, bronzeada em estufa, com algumas intervenções plásticas, que costuma aparecer nas fotos das revistas cor-de-rosa ou, pelo menos, que as costuma ler.

Buenos Aires. Abril 2004

quinta-feira, maio 10, 2007

Personagens 4

Sem querer armar-me em sociólogo estive a observar estas personagens enquanto almoçava. Pareceram-me muito característicos deste país e da sua história recente e obscura. O senhor do meio, físico à Maradona e malandreco; o polícia, com colete à prova de bala como todos usam por estas bandas, tipo índio e às ordens do que for preciso; o paisana, ex-militar talvez da guerra suja e tipo subserviente para os superiores.

Buenos Aires. Abril 2004

quarta-feira, maio 09, 2007

Personagens 3

Na travessia de barco que fiz entre a Praia e o Mindelo, que durou 24 horas, conheci a Cristina. Ela fazia parte dum grupo de finalistas do curso de gestão escolar. Emprestei-lhe uma camisola à noite porque fazia muito frio. Mas fiquei verdadeiramente amigo foi do Spínola, o único caboverdeano que encontrei que conhecia todas as ilhas. Na paragem que o barco fez em S.Nicolau, povoação do Tarrafal, fomos tomar o pequeno almoço habitual naquelas paragens: cachupa refogada com ovo estrelado, eu, e com peixe frito, ele.

Percurso Praia-Mindelo. Março 2006

quarta-feira, abril 04, 2007

Personagens 2

No dia seguinte a lhe ter comprado o jogo, voltei lá. O Viriato tinha-me dito que arranjava uma fotocópia com as regras. Aproveitei para o desenhar. Este jogo, que aqui se chama de oril, é muito popular em Cabo-Verde e penso que noutros países africanos. É muito frequente verem-se pessoas na rua a jogar.

Santa-Maria. Ilha do Sal. Cabo-Verde. Abril 2006

terça-feira, abril 03, 2007

Personagens 1

Nem todas as pessoas com quem nos relacionamos numa viagem são desenhadas. Constatei, no fim, que faltavam muitas, com imensa pena minha. Debaixo de uma frondosa árvore (da borracha) tive, inesperadamente, um dos almoços mais agradáveis da viagem (ou da vida?). Quem mo serviu foi a Jacinta que ficou minha amiga.

Queimadas de Cima. Ilha de S.Nicolau. Cabo-Verde. Abril 2006

segunda-feira, abril 02, 2007

Personagens

Quando se viaja, especialmente sozinho, é inevitável conhecermos pessoas. E é também um dos atractivos. O Ynho (em Cabo Verde toda a gente é conhecida por um nome diferente do próprio) tinha um bar onde se bebia grogue (aguardente de cana de açúcar) e comiam-se pernas de frango, enquanto se jogava às cartas, matraquilhos e, único na ilha, ao bilhar. Só abria às 3 da tarde para não incomodar a repartição pública que funcionava em frente. E fechava às 3 da manhã já com os clientes numa grande algazarra.

Ilha Brava. Cabo-Verde. Março 2006

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

O Diário Gráfico como Comunicador 1

Ternura foi o que senti quando a Erica me pediu para desenhar a sua avó, a Dona Filó, que vendia fruta ali mesmo ao lado. E quando lhe disse que a avó era muito bonita, foi logo a correr dizer-lhe.


Cidade Velha. Cabo-Verde. Fevereiro 2006