Enquanto esperamos no cais de embarque, em Cabo-Verde, podemos assistir a um desfile de personagens. Os que vão partir e os que se despedem. A espera transforma-se numa festa.
Em Cabo-Verde nas travessias de barco entre as ilhas, na maior parte dos casos, são dada primazia às mercadorias. Dizem-nos para estarmos no cais às 21 horas, por exemplo, e o barco parte à uma da manhã. Temos que esperar que a mercadoria fique toda arrumada. Estas três senhoras para passar o tempo iam vendo a telenovela por uma das escotilhas do barco.
Sentarmo-nos num dos bancos que existem na rambla do Raval e vermos as pessoas passar é uma das minhas actividades preferidas quando estou em Barcelona.
Dois desenhos desta rambla. Um do lado norte e outro do lado sul. Executados com anos de intervalo entre eles e com diferentes estados de espírito.
Nesta viagem pela Europa, Pedro Baptista, fotógrafo, videoasta e designer, começou a fazer um Diário quase exclusivamente escrito e acabou a enchê-lo com desenhos.
Primeiros dias de viagem. Texto, colagens e pequeno desenho
A revista e editora Verve, fundada por Tériade, editor de origem grega (1897-1983), dedicou-se a publicar os chamados Livros de Artista. O livro Paris sans fin, encomendado a Alberto Giacometti, é constituído por cerca de 150 desenhos, intercalados por texto. É uma espécie de reportagem diária.
Paris sans fin. Giacometti. Ed. Buchet/Chastel. Colecção Les Cahiers Dessinés
O Café Majestic, no Porto, é um espaço cheio de História. Sinto-me lá muito bem. Mas ainda não consegui fazer lá um desenho com um mínimo de qualidade.
No espectáculo da Patti Smith, em Lisboa, ela disse que tinha gostado muito da cidade e dava os parabéns por não haver nenhum café Starbucks. Ainda, digo eu. Mas os Vips já andam por cá. Desenho num Vip em Madrid, enquanto lanchávamos.
Há uns dias Enrique, por email, perguntava porque é que quando se desenha um tigre não se desenha a jaula. Eu sabia que já tinha desenhado um (não é tigre mas jaguar) na jaula. Fui à procura.
O Born é o Bairro mais antigo de Barcelona. Com as intervenções que lhe têm feito, o Bairro dinamizou-se e penso (na óptica de um visitante esporádico) que é um sítio muito agradável para se viver.
Não sei se pela época festiva, se pela fauna particular que frequenta este bairro, a praça Chueca tinha uns focos de luz com uns círculos de acrílico com as cores do arco-íris que lhe davam um ambiente muito acolhedor.
O Bairro Lavapiés é etnicamente muito diversificado. Nesta Praça, onde confluem várias ruas, podem encontrar-se restaurantes e bares de vários continentes.
A Lucile é francesa, vive em Marselha, mas viveu e trabalhou em Lisboa durante dez anos. Ficou em Portugal porque, disse-me ela, era o país europeu mais parecido com Cabo-Verde. Era minha vizinha e também gosta de viajar. "Acontece eu encontrar no decorrer de uma viagem um caderno bonito que me dá vontade de fazer um diário como no Rajastão".
Almoço em Évora depois de algumas sessões em que tentei, sem grande êxito, que estas raparigas (ou senhoras) desenhassem com gosto. Os homens nunca aparecem para estas coisas. Será por terem vergonha de se exporem? O desenho ficou péssimo e as pessoas ficaram muito feias.
Mais um blog com desenhos exclusivamente feitos em cadernos. A ver com atenção e ir até ao princípio. Experiências com técnicas várias e todas muito bem conseguidas. Escolhi esta imagem como podia ter escolhido qualquer outra. São todas óptimas.
Foi o José Louro, sempre atento, que chamou a atenção.
É um verdadeiro Diário. Tem desenhos, pensamentos, do próprio e de outros, recortes, fotografias, memórias, recentes ou antigas. Num caderno quadriculado comprado no Museu do Prado em Madrid.
Artur Cruzeiro Seixas (1920). Diário feito em 2007
Parece uma metáfora mas não é. Uma fábrica de armamento transforma-se em espaço cultural. Na ex fábrica do Braço de Prata juntaram-se duas livrarias e acontecem conferências, lançamentos de livros, exposições e ouve-se, ao vivo, todo o tipo de música. Ontem a Vera ao piano e a Susana na voz. Música lírica
Pois. Por razões diferentes, num jantar um desenho não pode ser feito nem muito cedo nem muito tarde.
Este restaurante chinês, em Madrid, estava caótico. Havia dois casamentos em simultâneo de dois casais chineses e o álcool estava a fazer os seus efeitos.
Desenhar um grupo à mesa é um problema (para mim). Enquanto desenhamos, as expectativas aumentam, as pessoas tendem a ficar distorcidas e a não caberem na folha. É muito frustrante.
Quando estive na vila da Ribeira Brava, na ilha de S.Nicolau, jantava normalmente à mesa do dono do hotel, senhor Manuel, com mais três hóspedes de outra ilha e que estavam lá a trabalhar temporariamente. Quando souberam que eu desenhava pediram-me para o fazer enquanto jantávamos. Foi embaraçoso.
Pensão Santo António. Vila da Ribeira Brava. S.Nicolau. Cabo-Verde
A retaguarda duma das capelas mais bonitas de Lisboa. A senhora que toma conta dela queixou-se que, apesar da degradação, ninguém de direito quer saber. Estão à espera que caia.
Edward Hopper (e David Hockney também, e outros) interessaram-se muito por este tipo de cafés. São os bares de hotéis. Hotéis uniformizados e iguais em todo o lado. São de passagem, pertencem a cadeias de hotéis ou têm simplesmente pouca imaginação.
Ontem esqueci-me de indicar um bom exemplo de desenho de cafés.
Mais um interior de café. Por um lado estamos comodamente sentados a desenhar, mas por outro, este tipo de espaços, fechados e ainda por cima com pessoas, tornam-se confusos. É preciso seleccionar o que achamos significativo daquele lugar.
Deparei com este equipamento de serviço público. Pensava que já não havia nenhum exemplar. Ao lado está outro de construção mais recente, com acessos diferentes aos dois sexos. Não tem tanta graça.
Praça Leandro da Silva. Poço do Bispo. Lisboa. Nov 2007
Na falta de melhor os automóveis são sempre um bom objecto para serem observados e representados. Além da forma que obriga a ser proporcionada de modo a se distinguirem os vários modelos, a superfície polida também requer um certo tratamento na aplicação da cor. Aqui estão o João e o Nuno a fazerem o melhor possível
A Exposição terminou ontem com um excelente (não é exagero) concerto de Tó Trips na guitarra eléctrica e Tiago Gomes, poeta e editor da revista Bíblia, na voz, com a leitura de excertos de On The Road.