domingo, abril 15, 2007

"Viagem à volta do meu quarto"

Em 1798 Xavier de Maistre escreveu o livro “Viagem à volta do meu quarto”. Nele sensibiliza-nos para a seguinte ideia: “o prazer que extraímos das viagens talvez dependa mais do estado de espírito com que as empreendemos do que do destino que lhes fixamos”.

Quarto em casa da Sofia. Barcelona. Agosto 2006

sábado, abril 14, 2007

Diários de Viagem 11

"Nos diários gráficos o medo de falhar não deve existir. (...) sempre que consigo “desligar” a mente deixando a caneta trabalhar, perco o controlo dos resultados finais. Este aspecto arbitrário dos desenhos que tento praticar nos meus diários é aquilo que me emociona".
José Louro. Designer. Professor. Podem ver o resto do texto e mais algumas imagens no site e mais coisas dele no blog.

José Louro. 1964. Designer. Professor

sexta-feira, abril 13, 2007

Charla 1

Também eu vou dar uma charla (gosto deste nome). Se me quiserem ouvir falar de Diários Gráficos (ou de Viagem), passem pela sede da Associação dos Amigos dos Castelos (sugestivo nome) no dia 16 de Abril, 2ªfeira, às 18 horas. A sede fica em Lisboa na rua Barros Queirós 20-2º, rua pedonal que vai do Lg São Domingos até ao Martim Moniz. Vou falar como autor, mas também como pessoa que se interessa e conhece outros autores. Entrada livre.

Teatro romano. Mérida. Abril 2007

quinta-feira, abril 12, 2007

Charla

Fui a Mérida ouvir o ilustrador Enrique Flores falar sobre os seus Diários de Viagem. Conversa muito interessante e participativa. Foi na Escola de Arte onde até se viam alunos a trabalhar com entusiasmo e onde se podia ver uma exposição de arquitectura com uma montagem impecável.

terça-feira, abril 10, 2007

Lisboa 5

Comecei o desenho pelo rinoceronte que está na esquina por baixo da guarita. De vez em quando gosto de o ir visitar.

Torre de Belém. Lisboa. Abril 2007

segunda-feira, abril 09, 2007

Lisboa 4

Desenhar arquitectura requer alguma paciência. Pelo menos para mim. Neste desenho comecei pela igreja, cheio dela, mas fui perdendo-a rapidamente.

Santa Luzia. Lisboa. Abril 2007

sábado, abril 07, 2007

América do Sul 31

A Plaza de Armas em Santiago do Chile não é propriamente bonita, mas é o lugar público mais fascinante onde já estive. Além do xadrez, podem ver-se videntes de tarot, aluguer de telescópios para observar a lua, pares a namorar, grupos a conversar, espectáculos de saltimbancos ou de humoristas, muito corrosivos politicamente e com um público participativo, divulgadores da bíblia. È um destes que represento em baixo. Eram autênticos artistas, que não me cansava de observar.

Plaza de Armas. Santiago do Chile. Abril 2004

sexta-feira, abril 06, 2007

América do Sul 30

Se a quantidade de pessoas que jogam xadrez fosse um dos índices de medição do grau de desenvolvimento de um país, o Chile seria um dos da frente. Na Praça de Armas, na capital, vêem-se pessoas de todas as idades, classes sociais, profissões, maneiras de vestir e de estar, a jogar xadrez. Fora os espectadores que dão palpites e sofrem com as jogadas. As mulheres devem jogar em casa.

Plaza de Armas. Santiago do Chile. Abril 2004

quinta-feira, abril 05, 2007

Jogo de Oril

Tal como o xadrez nalgumas escolas portuguesas, o oril é implementado nas escolas caboverdeanas. Incentiva ao raciocínio dedutivo. Como objecto de madeira trabalhada também incentiva a ser desenhado.

Cabo-Verde. Abril 2006

quarta-feira, abril 04, 2007

Personagens 2

No dia seguinte a lhe ter comprado o jogo, voltei lá. O Viriato tinha-me dito que arranjava uma fotocópia com as regras. Aproveitei para o desenhar. Este jogo, que aqui se chama de oril, é muito popular em Cabo-Verde e penso que noutros países africanos. É muito frequente verem-se pessoas na rua a jogar.

Santa-Maria. Ilha do Sal. Cabo-Verde. Abril 2006

terça-feira, abril 03, 2007

Personagens 1

Nem todas as pessoas com quem nos relacionamos numa viagem são desenhadas. Constatei, no fim, que faltavam muitas, com imensa pena minha. Debaixo de uma frondosa árvore (da borracha) tive, inesperadamente, um dos almoços mais agradáveis da viagem (ou da vida?). Quem mo serviu foi a Jacinta que ficou minha amiga.

Queimadas de Cima. Ilha de S.Nicolau. Cabo-Verde. Abril 2006

segunda-feira, abril 02, 2007

Personagens

Quando se viaja, especialmente sozinho, é inevitável conhecermos pessoas. E é também um dos atractivos. O Ynho (em Cabo Verde toda a gente é conhecida por um nome diferente do próprio) tinha um bar onde se bebia grogue (aguardente de cana de açúcar) e comiam-se pernas de frango, enquanto se jogava às cartas, matraquilhos e, único na ilha, ao bilhar. Só abria às 3 da tarde para não incomodar a repartição pública que funcionava em frente. E fechava às 3 da manhã já com os clientes numa grande algazarra.

Ilha Brava. Cabo-Verde. Março 2006

sábado, março 31, 2007

Café

Depois de me instalar na pensão da Dona Eugénia, sentei-me na sua pequena esplanada a desenhar este ramo de café. Estava muito cansado. Tinha vindo a pé de Chã das Caldeiras até aos Mosteiros. Soube-me bem concentrar-me neste ramo e desenhá-lo o melhor que consegui.

Pensão Tchon di Café. Mosteiros. Ilha do Fogo. Cabo-Verde. Março 2006

sexta-feira, março 30, 2007

Fotografia vs Desenho 5

Num casamento, mesmo como este na praia, não dá jeito nenhum andar com o caderno. E aquele momento tinha que ficar registado no meu Diário. A solução foi mesmo colar parte do convite e desenhar a partir duma fotografia.

Praia da Comporta. Setembro 2005

quinta-feira, março 29, 2007

América do Sul 29

O Chile é um país de extremos. Vai desde um deserto árido e tórrido a outro gelado. Vai desde dois poetas, prémios Nobel da literatura a uma sanguinária ditadura militar. Puert Montt presta homenagem ao primeiro Nobel chileno, Gabriela Mistral, e a uma série de militares, nuns bustos algo ridículos.


Puert Montt. Chile. Abril 2004

quarta-feira, março 28, 2007

América do Sul 28

O primeiro desenho que faço quando chego a um lugar é, normalmente, uma vista da janela do quarto onde fico alojado. Nem sempre essa vista é estimulante mas ajuda-me a descontrair. Puert Montt é uma pequena cidade virada para uma baía no Oceano Pacífico.

Hotel Colina. Puert Montt. Chile. Abril 2004

terça-feira, março 27, 2007

América do Sul 27

Pensei atravessar a fronteira para o Chile de barco, mas informaram-me que era muito caro. Fui de camioneta. Durante todo o percurso avistávamos, ao longe, o vulcão Osorno, imponente.

Percurso Bariloche-Puert Montt. Abril 2004

segunda-feira, março 26, 2007

Portáteis

Não tenho computador portátil. Vejo as pessoas a trabalharem com ele, no comboio por exemplo, e apetece-me arranjar um. Mas vejam este caso: só não li os emails da Sara (não a conheço, só li o nome dela no computador) porque não quis.

Comboio Lisboa-Porto. Março 2007
Os últimos três desenhos aqui mostrados são de um Diário novo. Custa-me sempre começar e os desenhos parece que não saem bem.

domingo, março 25, 2007

Fado

“Gostava de morrer só para saber
que tinhas deitado uma lágrima por mim”

É muito raro ir a uma casa de fados. Já não ia lá desde o ano 2000. Sei-o porque também nessa altura fiz um desenho. Mas quando vou gosto do lado trágico do fado.




Lisboa. Alfama. Março 2007

sexta-feira, março 23, 2007

Livro de Artista 7

Mário Henrique Leiria concebeu e executou este livro em 1950/51. Só em 1999 Cruzeiro Seixas conseguiu editá-lo numa pequeníssima edição, também ela muito artesanal.



Mário Henrique Leiria (1923-980). Poeta e pintor. Fez parte do Grupo Surrealista de Lisboa. Claridade dada pelo tempo

quinta-feira, março 22, 2007

Diário de Viagem 10

Mesmo algumas pessoas que desenham muitíssimo bem sofrem de algum constrangimento quando desenham na via pública ao pé de toda a gente. Não tem a ver com o desenhar bem ou mal. Aconteceu o mesmo a Delacroix aquando da sua visita a Marrocos. Ele contornou esta situação com esboços muito rápidos e escrevendo o que não queria que lhe passasse ao lado. Normalmente coloria os desenhos depois em casa, mas neste caso não o fez.

Eugène Delacroix (França. 1798-1863). Descrição da preparação de um casamento judeu. Marrocos. 1832

quarta-feira, março 21, 2007

Diário 1

Comecei a desenhar em cadernos quando andei a estudar nas Belas Artes. Com o professor Lagoa Henriques. Mas a coisa não pegou. Não os acabava e nem sequer os guardava. Só mais tarde, na minha segunda viagem aos Estados Unidos, fiz o que considero o Diário 1. Mas tinha, como todos os principiantes, algum constrangimento em desenhar à vista das pessoas e por isso ou desenhava de memória ou desenhava objectos.

Nova Iorque. E.U.A. Agosto 1996

terça-feira, março 20, 2007

Desenho 6

Desenhar o modelo inscrito num rectângulo. Aplicar guache com cores opostas e lisas. À maneira de Nikias Skapinakis.

Lisboa. Fevereiro 2007

segunda-feira, março 19, 2007

América do Sul 26

Na longa fronteira entre Argentina e o Chile há uma zona conhecida como dos “grandes lagos”. É uma zona alta, húmida e com vegetação muito densa. Andei por lá de barco e a pé.

Lago Cantaro. Argentina. Abril 2004

sábado, março 17, 2007

América do Sul 25

A cidade de Bariloche é muito agradável. Fica no início da Patagónia e rodeada por lagos e montanhas. A região faz lembrar os Alpes. A dona do hotel onde fiquei, Cristina, era muito simpática e deu-me imensas informações que me foram úteis.

Vista do hotel Milan. Bariloche. Argentina. Abril 2004

sexta-feira, março 16, 2007

Casa do Alentejo

Quem não conhece a Casa do Alentejo, em Lisboa, deve ir lá quanto antes. Fui ouvir um senhor, grande conhecedor do Surrealismo português, de seu nome Perfecto Quadrado. Foi convidado pelos “Amigos dos Castelos”, associação cultural que agarra todos os pretextos para viajar. Se desenham nas viagens é o que vou saber um dia destes.


Casa do Alentejo. Lisboa. Março 2007

quinta-feira, março 15, 2007

O Diário gráfico como desinibidor 1

Conheço experiências do uso do Diário Gráfico nos mais variados níveis etários. Os professores usam-no e incentivam os seus alunos a fazerem o mesmo, de maneira que eles tenham vontade de desenhar fora da sala de aula, no seu quotidiano. Mesmo quando não resulta, fica a ideia para mais tarde.

Lurdes Pessoa. Escola B2,3 Du Bocage. Setúbal. Professora de Eduardo Pasadinhas

Eduardo Pasadinhas . 5ºano. Escola B2,3 Du Bocage. Setúbal.

quarta-feira, março 14, 2007

O Diário Gráfico como desinibidor

Gosto muito de lembrar este excerto de texto de John Ruskin, inglês do século XIX, artista, critico de arte e ensaísta: “Nunca encontrei, até agora, alguém que seja completamente impossibilitado de aprender a desenhar (…) exactamente da mesma maneira que quase todas as pessoas têm disposição para aprender francês, latim ou aritmética, num grau aceitável (…) supondo que estão dispostos a aguentar um certo aborrecimento e umas quantas desilusões com valentia, posso prometer-lhes que uma hora de prática diária durante seis meses, ou uma hora cada dois dias durante doze meses, ou da maneira que acharem melhor, umas cento e cinquenta horas de prática lhe darão o suficiente domínio do desenho”. Cito, parcialmente, esta frase no início do blog porque penso que o Diário Gráfico é uma boa maneira de começar.

Francisco Vidal (1978) é um pintor com imenso talento e que desenha muitíssimo bem

terça-feira, março 13, 2007

América do Sul 24

Quase à chegada a Bariloche, depois de uma noite de viagem e passadas 24 horas de camioneta, tive uma visão dumas árvores amarelas. Uma espécie de ciprestes luminosos. Não percebi se era uma visão, resultado de uma noite mal dormida. Não descansei enquanto não as pintei, enquanto tinha aquela visão nos meus olhos. Disseram-me depois que eram álamos.

Bariloche. Argentina. Abril 2004

segunda-feira, março 12, 2007

Lisboa 3

Já escrevi aqui, anteriormente, sobre a dificuldade que algumas pessoas têm em desenhar a cidade onde vivem. Entre as quais me incluo. Mas, do mesmo modo, é um prazer deambular como se fosse um estrangeiro. Procurar sítios com pessoas oriundas de outros países. São locais tipicamente lisboetas mas que parecem outra cidade. Neste largo bebe-se uma ginginha enquanto se imagina estar em Luanda.

Largo S.Domingues. Lisboa. Janeiro 2007