Esta fica entre a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos e ao pé dum edifício que está a crescer e ninguém sabe para que vai servir. A esplanada é toda branca e vidro. Não sei como se chama, mas recomenda-se.
Os empregados dos Correios da minha rua são muito simpáticos. Mas a máquina dos selos está sempre fora de serviço. Resultado: meia hora para comprar um simples selo.
Sempre que passo pelos Restauradores entro no Bar Pirata e bebo uma “perna” (de pirata). É uma espécie de vinho do Porto com gasosa e uma rodela de limão. Há o tamanho grande e o pequeno. Raramente sento-me na pequena esplanada, que aliás só existe no Verão.
Mesmo à noite estava um calor de rachar. Dos poucos sítios onde se podia estar era numa esplanada. Jantámos, então, em la Corredera. Praça em Córdova, lindíssima, daquelas como só nas cidades espanholas existem.
Uma vez tentei ir a Valência, mas por causa das “Fallas” (festa popular) estavam os hotéis todos cheios. Passei ao largo. Na segunda tentativa valeu a pena. É o que se pode chamar de uma boa cidade: bonita, prática e simpática. Nesta esplanada no bairro del Cármen ocupei-me a observar a rapariga solitária, a outra apaixonada pelo seu namorado e o cão.
Há quem use cadernos em harmónio. Tem algumas vantagens, como por exemplo, a facilidade de exposição ou na representação dum longuíssimo plano. A Sara Brandão, aluna de arquitectura e que integra desde hoje o site, gosta de os usar e diz-nos: “Através dos meus diários gráficos as cidades deixam de ser uma sucessão desordenada de ruas, construções e pessoas, ganhando um novo sentido, através do processo de compreensão que se realiza no desenho dos lugares”.
A partir deste post faço esta citação de Jorge Spencer, professor de Desenho em Arquitectura: “…um desenho é sempre uma escolha, um modo único de dirigir o olhar, enfatizando ou atenuando aspectos múltiplos da realidade que se observa”. E, já agora, dois desenhos do designer Daciano Costa, com quem colaborou, um feito em França e outro em Espanha. (ver no livro “Croquis de Viagem de Daciano Costa” de Livros Horizonte. Lisboa 1994)
Hoje, ao fazer umas arrumações (virtuais), dei com o desenho desta estranha cidade. Não sei se foi Ítalo Calvino, no seu admirável livro “As Cidades Invisíveis”, que escreveu (li este livro durante esta viagem) a frase que está por baixo do desenho: “cidade onde há vacas a comer erva salgada”. Mas se não foi ele podia ter sido. As descrições fantásticas, por vezes, são pura realidade.
R.Crumb, autor americano de BD a viver em França (vive com uma francesa e parece que trocou um sketchbook por uma casa) no seu livro "Waiting for Food" escreve: "[...] este tipo de coisas, desenhar acontecimentos sociais, em restaurantes, é a minha maneira de aliviar algum stress motivado pela vida social… o mesmo que fumar… às vezes para ocupar as mãos. Para além disso fico chateado de falar, falar. Eu fico sem coisas para dizer… e aqui em França estes jantares duram horas. Eu tenho montes de tempo para fazer desenhos elaborados".
Quem costuma desenhar já desenhou com certeza em cafés, bares ou restaurantes. É natural pois são locais de lazer, de estar, de não fazer nada, de conversar ou de espera. E aproveita-se para desenhar. Mas, por serem lugares fechados, com pessoas, às vezes muitas, de diferentes planos, ou muito perto ou longe, não são fáceis de serem representados. A minha última tentativa só é identificável por ter o pacote de açúcar.
E para finalizar as últimas definições. Gosto sobretudo da última. "É um livro mágico. É um livro onde cada página tem uma vida. É onde gosto de vaguear. O meu diário é o meu auto-retrato".
Vania Assis. 12ºano. Ano 2006 (Profª. Amélia Martins)
Mafalda Matos. 12ºano. Ano 2006 (Profª. Anabela Canas)
Aqui vão mais algumas definições e folhas de cadernos deliciosos. "É um grupo de folhas à espera do seu dia. Diário Gráfico para mim é família. Onde tudo se mistura e tem um bocadinho de nós. É um local de registo para diferentes emoções, situações quotidianas ou apenas de originalidades"
Tiago Alexandre. 12ºano. Ano 2006 (Profª. Filomena Lima)
Sara Belo. 12ºano. Ano 2006 (Profª. Filomena Lima)
Vale a pena ir até à escola António Arroio ver uma excelente exposição de Diários Gráficos feitos por alunos. Vejam algumas das definições que eles deram sobre o assunto: “O Diário Gráfico é o serviço de acompanhantes mais barato do mundo. É como uma necessidade não necessária. Não consigo explicar bem, mas é como pensar sem a cabeça”.
Como não tenho os Diários que estão na exposição, aqui vão alguns exemplos do ano passado.
Joana Botas. 12ºano. ano 2006 (Profª. Anabela Canas)
Mina Anguelova. 12ºano. ano 2006 (Profª. Amélia Martins)
O tamanho do Diário gráfico varia de autor para autor. Por mim é preciso que caiba no bolso do casaco, no Inverno, e no bolso de trás das calças, no Verão, mas que não seja minúsculo. Tenho dedicado atenção aos Diários de vários autores e tenho posto como limite de tamanho o A4, dimensão que cabe numa pequena mochila.
Francisco Vidal (1978). Cabo-Verde. Pintor
Dimensão do caderno: 21,5x30 cm
Pablo Picasso (1881-1973). Espanha. Pintor
Dimensão do caderno: 7x12 cm
Bruno, o motorista desta carrinha/táxi, é um certo tipo de homem caboverdeano. Gostam de fazer filhos, de preferência de várias mulheres. Dizem que é uma prova de amor (não sei se deles se delas). Tem 8 filhos e a mulher (a legítima) está à espera de mais um.
Clarisse, conhecida por Rozely, é uma excepção em Cabo-Verde. Tem uma única filha, que vive com o pai, e é independente economicamente. Vende cervejas, grogue, cigarros à unidade e serve refeições por encomenda. Almocei lá por duas vezes e passei umas tardes muito agradáveis na conversa com ela e com os vizinhos/fregueses.
No Hotel Bom Sossego, na ilha do Maio, a Felicidade e a Ivania são as cozinheiras, a Carmita serve à mesa. As três arrumavam os quartos. A Felicidade, mulher enorme, tinha uma beleza singular. Depois de passar lá uma semana senti-me à vontade para lhes dizer que gostava de as desenhar. Enquanto a Felicidade, inesperadamente, não ficou muito à vontade, as outras duas vestiram-se a preceito e posaram.
O Pintor que frequentava o local da capela que refiro anteriormente era muito amigo dum antigo professor meu, o escultor Lagoa Henriques. Ele influenciou-me, e a muitos outros, a começar a usar o Diário Gráfico. Na altura “passou-me um bocado ao lado” e só “apanhei” a ideia uns anos mais tarde.
Obrigado homónimo pela informação que o Sezinando me tinha incluido na lista. A minha lista de blogs preferidos são os blogs que estão nos meus links, por onde passo sempre que passo pelo meu. Como só posso pôr cinco, tiro o waterhalo que posta muito pouco.
Sempre me fascinou esta capela, o espaço envolvente e a vista sobre o Tejo. Houve um pintor que a pintou obsessivamente. Sempre me apeteceu fazer o mesmo. No outro dia proporcionou-se. Por aqui as opiniões dividem-se sobre se gostam mais com cor ou sem ela.
Por vezes a aplicação de cor não é mais que uma “bengala” para definirmos melhor uma forma e conseguirmos que o desenho tenha uma leitura mais evidente. O desenho abaixo é um bom exemplo. Sem cor e sem mancha ficou um desenho confuso, sem expressão (conceito complicado de definir).
No Domingo seguinte voltei à feira no bairro de S.Telmo, na praça Dorrego. Sou pouco conhecedor de Fado, mas o Tango parece-me ter grandes semelhanças com ele. Parece uma lamúria, mas com algo de reivindicativo. Tantos estes três senhores, que dialogavam a cantar, como o outro solitário, pareciam querer dizer que também tinham direito a ser felizes. Comprei um anel e um brinquedo de madeira para oferecer.
Cheguei a Buenos Aires a tempo do 1º de Maio. O centro das comemorações era na praça de Mayo onde as mães, cujos filhos tinham “desaparecido” durante a ditadura, se reuniam todas as 5ªs feiras. As manifestações por estas bandas não são para brincadeiras.
No meu regresso a Buenos Aires atravessei os Andes de camioneta, na falta do mítico comboio que já não existe. Consequência das privatizações. Experiência que me permitiu registar algumas paisagens.
"Uma paisagem desenhada não encontra um correspondente na realidade observada, não há uma paisagem que seja captada exactamente como é criada graficamente, o desenho resulta como uma compilação de informação e expressão de uma vontade ordenadora."
Conversa com o desenhador-antropólogo Manuel João Ramos
No átrio do Museu Gulbenkian uma Instalação (?) ou umas esculturas (?) ou umas peças (?) ou umas vitrinas (?) de José Pedro Croft, denominadas Paisagens Interiores. Desenhei o Apolo no meio enquanto esperava pela hora da reunião. Problema de quem chega sempre adiantado aos encontros.